Estudioso afirma que futuro está no design das redes sociais


Sabe aquelas vezes em que você se pega olhando o feed do Instagram e do Facebook até de madrugada? Calma que isso não é apenas falta de autocontrole. O design das redes sociais é projetado para te manter ligado pelo maior tempo possível.

O professor de direito da Universidade Columbia e estudioso de mídia, Tim Wu, explica que esse design das redes sociais nos condiciona a nos comportarmos de maneiras que desafiam nossos interesses. “Nós ansiamos por algum senso de fechamento, alguma sensação de estar sendo feito”, completa.

Segundo ele, o design das redes sociais é o que define os termos de qualquer interação online. Assim, as redes sociais são projetadas para criar o que ele define como falsos loops. E, por isso, o usuários nunca chegam ao fim do que fazer na plataforma.

Ele acredita que essa atitude vai contra nossa maneira de entender o mundo. E isso porque o ser humano tem predileção natural em criar experiências e narrativas que começam e terminam. Mas as mídias sociais tendem a atrapalhar isso.

“Nossos cérebros gostam de fechar as coisas. Eu acho que muito design agora está tentando transformar todo nós em obsessivo-compulsivos, fazendo com que os loops nunca fiquem fechados”, diz.

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Estratégia de design das redes sociais

De forma clara, esses “falsos loops” são uma estratégia explícita de negócios. E negócios, que nós, influenciadores, também usamos.

Quanto mais você convencer alguém de que precisa verificar o seu site ou canal, mais tempo ele vai gastar na sua plataforma. Consequentemente, ele verá mais anúncios. Essa filosofia é a mesma que sustenta as notificações e rolagem infinita em algumas plataformas.

No e-mail também não é diferente. O desejo de “fechar” o loop é o que motiva as pessoas a alcançarem o zero na caixa de entrada. Algumas empresas perceberam que seus usuários não estão satisfeitos com as manobras desavergonhadas em atrair e reter a atenção dos usuários. Por isso, passaram a introduzir ferramentas que visam incentivar os usuários a fecharem o ciclo.

Recentemente, o YouTube anunciou uma ferramenta para informar quanto tempo você está assistindo. Na Apple, o iOS 12 permite que você acompanhe quanto tempo gasta em determinados aplicativos. Mas os dois estão dentro de sistemas mais profundos do celular. Essas ferramentas de nível superficial vão longe.

Em vez disso, designers e empresas precisam colocar os usuários em primeiro lugar e projetar ferramentas que funcionem para eles e não contra eles. “Poucas coisas são mais importantes para o futuro da humanidade do que a ética do design. Ele é determinante, junto com sua vontade. Mas o design cria a maneira como você faz escolhas”, finaliza Wu.

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