Como o Instagram está salvando a poesia?


Que o Instagram é uma ferramenta ótima para publicações e negócios a gente já sabe. Mas qual é a relação da rede social com a poesia? Poesia sempre foi uma forma de arte.

Contudo, raramente foi uma carreira, mesmo para grandes nomes. Os americanos William Carlos Williams e Wallace Stevens, por exemplo, tinham suas próprias carreiras.

Enquanto Willliams era médico, Stevens era um executivo de seguros. Mas, ainda assim, a poesia fazia parte de suas vidas. Um exemplo da poesia moderna está na indiana (mas nacionalizada canadense) Rupi Kaur.

A poetisa, em 2016, superou Homero com sua coleção Milk & Honey, sendo traduzida para 40 idiomas e vendendo mais de 3,5 milhões de cópias. Entretanto, sua formação não está diretamente ligada à poesia, mas sim, redes sociais.

Sua carreira começou com publicações no Tumblr, em 2012, e logo depois foi diretamente ao Instagram. Mas ainda não havia uma estratégia rentável. Contudo, tudo mudou com Milk & Honey.

Além de chegar na lista dos livros mais vendidos do New York Times, ela também chegou a participar do programa do Jimmy Fallon. No momento, ela termina sua turnê americana.

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Poesia e redes sociais

Desde a publicação da coleção de Rupi, o gênero se tornou uma das categorias com mais crescimento nas publicações de livros. Segundo uma pesquisa de mercado, 12 dos 20 poetas mais vendidos em 2017 já foram Insta-poets.

Ou seja, eles combinaram o trabalho escrito com posts do Instagram. Quase metade dos livros de poesia vendidos nos Estados Unidos ano passado foram escritos por esses poetas.

Neste ano, a National Endowent for the Arts e o US Census Bureau mostraram que 28 milhões de americanos estão lendo poesia. Entretanto, a ascensão dos Insta-poets não começou com Rupi.

Em 2012, Melville notou que uma poetisa cambojana-australiana chamada Lang Leav estava se tornando popular na internet. Seu trabalho era divulgado nas redes sociais. Melville deu um salto de fé e assinou contrato com a editora de Lang.

Assim, nasceu Love & Misadventures, que vendeu mais de 150 mil cópias. Neste ano, o mundo da poesia foi abalado por outra estrela das redes sociais. A atriz Cleo Wade tem agora suas palavras em outdoors de Los Angeles e Times Square.

Outro exemplo é Atticus. Usando uma máscara para manter a identidade escondida, conta com Emma Roberts, Alicia Keys e Karlie Kloss como fãs. R.M. Drake é outro.

Começou a publicar sua poesia no Tumblr e no DevianArt, agora conta com 1,8 milhões de seguidores e 12 livros impressos. Vários deles já best-sellers internacionais.

Cultura poética

Há oito anos, Chad Harbach, editor da revista n + 1, escreveu que existiam duas culturas literárias.

A trilha institucional do MFA – voltada para universidade – e o mundo editorial centrado em Nova York. Mas agora há uma terceira: a cultura acelerada, democratizadora e hiperconectada.

Os poetas dessa nova categoria geralmente tem pouco treinamento formal e seus editores estão espalhados pelo mundo.

A mídia social aparenta ter rompido as paredes em tornos de um campo que há muito tempo é considerado de alto nível, exclusivo, esotérico e regido pela tradição.

Há também a questão de abertura para jovens de grande apelo, sendo muitas mulheres. Poetas de mídias sociais usam o Instagram como uma ferramenta de marketing.

O que mostra que não são apenas artistas, mas também empreendedores. Eles ainda ganham dinheiro principalmente por meio de publicação e eventos ao vivo.

Construindo suas próprias mini-marcas, os poetas podem aproveitar o comércio eletrônico para complementar sua renda. Alguns vendem mercadorias envolvendo sua arte, por exemplo. A popularidade cada vez maior também os torna valiosos para outras marcas, oferecendo novas e maiores formas de mercantilizar suas palavras.

Talvez isso fosse inevitável com a natureza do consumo rápido no Instagram. Os limites de uma postagem no Instagram incentivam a mensagem entregue.

Em uma plataforma cheia de estilos de vida, idealizadas em comida, viagem e moda, a poesia apresenta filosofias inspiradoras.

É impossível prever com a indústria está mudando radicalmente pelas mídias sociais e se essas transformações serão duradouras.

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