O que aprendemos com o Fyre Festival?


Em janeiro de 2019, a Netflix e o Hulu lançaram, diante seu vasto catálogo, um documentário sobre o Fyre Festival. Neles, conhecemos a história do festival “perfeito”. Organizado pelo “empresário” Billy Mcfarland e o rapper Ja Rule, o evento mostrou-se um grande fiasco. Foram feitas promessas que estiveram longe de ser cumpridas, além de resultar em fraudes de pagamento de funcionários. 

E tudo isso é culpa do McFarland. Além de uma farsa e uma fraude, o americano também se mostrou um trapaceiro, afinal manipulou e enganou investidores, portadores de ingressos e funcionários. Hoje, ele está cumprindo uma sentença de seis anos por fraude. Além disso, teve US$27,4 milhões apreendidos pela polícia federal. 

Fyre Festival e os influenciadores digitais

Mas o que o Fyre Festival tem exatamente a ver com influenciadores? Antes de se tornar a vergonha do século, o evento foi promovido pelo Instagram e vendido não só como um festival de música ultra-exclusivo. Influenciadores e celebridades o apresentaram como uma experiência luxuosa em uma ilha nas Bahamas.

Apesar de McFarland ser o grande centro da culpa, o que realmente causou a crise do Fyre foi o marketing. Por um tempo, o festival ficou marcado por ser a “melhor campanha de influência social já realizada”. A Jerry Media, empresa de marketing social contratada pela Fyre, tinha o objetivo de mobilizar a internet. 

Foram publicados vídeos de praias exóticas das Bahamas, cardápios maravilhosos e lindos iates no mar. O que o grupo prometeu foi poderoso. E tudo foi até o fim, com o objetivo de se livrarem de qualquer responsabilidade, assim que a verdade fosse revelada. 

De repente, isso acabou fazendo com que influenciadores estivessem negando seu poder de influência. E agências de marketing estavam minimizando o sucesso de suas campanhas. “Vai que você é contratado para fazer um comercial da BMW, e ela tem um motor defeituoso. Como você pode saber se eles iriam fazer aquilo que disseram que fariam?”, questionou Brett Kincaid, da Matte Projects LLC. Ele foi um dos envolvidos na promoção do Fyre Festival. 

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Por baixo dos panos 

Durante o período que antecedeu o desastre, a Jerry Media escolheu esconder, ativamente, todos os problemas. E isso aconteceu até mesmo nas principais horas finais, chegando inclusive a silenciar críticos. Participantes que fizeram perguntas sobre logística nas redes sociais foram bloqueados ou tiveram seus comentários excluídos. 

Questionando sobre a responsabilidade, a que ponto isso também não está nas mãos de quem foi pago para impulsionar o evento? No caso, o Fyre Festival foi divulgado por grandes modelos. Entre elas estavam Kendall JennerBella Hadid, Emily RatajkowskiHailey Baldwin. Juntas, elas acumulam mais de 163 milhões de seguidores. E isso apenas no Instagram. 

Como incentivo para a transparência aos consumidores, a Federal Trade Commission se tornou cada vez mais agressiva ao exigir que influenciadores divulguem se estão sendo pagos para promover um bem ou serviço. Seja através de hashtags ou através da própria ferramenta do Instagram. 

Em 2017, a FTC chegou e enviar cartas de avisos para quase 90 celebridades. O conteúdo explicava que caso violassem as diretrizes de aprovação que permite a comissão dos conteúdos, seriam multados. Porém, segundo Richard Newman, advogado de conformidade da publicidade da FTC, as diretrizes não têm força de lei. 

Os documentários, no fim das contas, provam como as consequências de seguidores enganosos podem ser sérias. Emily foi declaradamente a única que usou a hashtag #ad. E enquanto Bella se desculpou com os fãs, as outras apenas deletaram os posts. 

Os profissionais do marketing 

O advogado de marketing, David Klein, afirmou que todos os envolvidos na cadeia da postagem se enquadram nas diretrizes da FTC. Para Newman, aplicar multas a esse tipo de acontecimento pode desestimular repetições futuras. 

Funcionários da Jerry Media e também os influenciadores afirmam que não sabiam de nada. Porém, os documentários indicam o contrário. Para alguém ser responsabilizado depende desse conhecimento. E também se as agências estavam cientes do engano.

Segundo o advogado Ben Meiselas, em declaração no documentário do Hulu: “Não se concentra apenas em Billy (…) Há pessoas que o ajudaram a cometer fraudes para que pudessem ganhar dinheiro”. 

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